AUTISMO E (AUTO)AGRESSÃO

AUTISMO E AGRESSIVIDADE

Por Fatima de Kwant

Holanda, 26 de maio, 2021

A agressão não é inerente ao autismo, sim, a todo ser humano, um de nossos instintos básicos, como a reação de “fugir, lutar ou congelar”: 1- evitar a agressão, saindo de perto do que/quem lhe agride; 2- encarar a agressão, reagindo igualmente de modo agressivo; 3- não reagir, tampouco fugir (passivo). 

Desde pequenos, aprendemos a lidar com as emoções. Pais ensinam a criança a solucionar seus problemas sem usar agressão física ou verbal. Nem sempre é possível quando existem transtornos. No caso da agressividade é preciso atenção o quanto antes para que não se torne um hábito, um modo da criança “resolver problemas “.

 

A complexidade do autismo torna tudo à sua volta igualmente complexo, assim como a externalização da raiva, medo ou desconforto. Quando o autista agride, em geral, é uma AGRESSÃO REATIVA já que muitos reagem ao meio ambiente de acordo com sua percepção sensorial e pela percepção individual que têm do mundo. Sendo assim, qualquer situação e/ou pessoa que desafiasse suas percepções seriam gatilhos de um comportamento agressivo – unidos às Funções Executivas e Teoria da Mente precárias. Ou seja: agressividade não intencional (defensiva).

A AGRESSÃO NO AUTISMO NÃO É MALDADE, É IMPOTÊNCIA EMOCIONAL

No entanto, não podemos esquecer os fatores que também contribuem para a agressão da pessoa autista, quando são INTENCIONAIS (AGRESSÃO ATIVA) como (eventuais) transtornos de personalidade, ou meio ambiente (histórico familiar/ambiental de agressividade). Se seu filho é pequeno e já demonstra (auto)agressividade, não precisa entrar em pânico, mas de atenção ao problema, consulte especialistas; não tenha medo, estabeleça uma rotina estruturada, comunicação, e alternativas para controlar a raiva/medo/desconforto externados de modo agressivo. A pior coisa que a gente pode fazer é deixar uma criança ser agressiva porque “é autista”. 

CAUSAS

A agressão no autismo, em geral, tem ainda mais causas:

  • Dores (dente, cabeça, barriga, menstruação, etc.)
  • Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) (toques, odores, ruídos inesperados, etc.)
  • Problemas graves de Comunicação (ausência da fala, e de expressão alternativa)
  • Medo (o mais frequente) Problemas do sono (agitação noturna, estresse emocional resultando em falta de descanso físico. Imprevisibilidade da rotina (mudanças de rotina, viagens, falecimento, nascimento de um irmão, separação dos pais, etc.)
  • Falta de segurança
  • Falta de compreensão
  • Libido sexual, mudanças hormonais.
  • Impotência emocional (sentir muita coisa ao mesmo tempo e não conseguir se expressar ou fazer compreender).
  • Mudança de medicação ou (in)tolerância à medicação regular.

O autista não é NATURALMENTE agressivo. Cuidadores primários (família) e secundários (professores e terapeutas) devem dar muita atenção ao problema para que a agressão não se instale como hábito do autista evitar situações, pessoas ou momentos indesejados por ele.

 

TRATAMENTO

O foco deve ser na identificação da agressão, tipo, causa e planejamento de atividades/terapias que eliminem esse comportamento. Dependendo do grau de autismo, sua funcionalidade, e nível de intelectualidade, pode-se fazer uso de diversas terapias direcionadas para o indivíduo, considerando seu tipo de autismo, seus gostos e preferências. Sendo assim, faz-se uso (ou não) de tabelas estruturadas, histórias sociais, Terapia Cognitiva e Comportamental, atividades esportivas, medicação, e demais orientações que irão depender do que for definido pelo especialista em autismo. Lembre-se, a agressão é comportamento; um comportamento que não pode ser tolerado, que deve ser encarado com muita seriedade por todos que zelam pelo bem estar da criança, adolescente, ou adulto com TEA. Importante: Nem todos os autistas demonstram comportamento agressivo.

Fatima de Kwant, ativista internacional do autismo

*Fatima de Kwant reside na Holanda desde 1985, é jornalista, mãe de um filho autista adulto, especialista em Autismo e Desenvolvimento e Autismo e Comunicação, e ativista pela causa do autismo.

Sobre Fatima de Kwant

Fatima Kwant is an autism advocate, author of autism related articles, and creator of the International Autimates Project - Overcoming Prejudice with Information. She is a Brazilian journalist leaving in the Netherlands with her family. Her youngest son, 18 years old has autism and formerly diagnosed as severe autistic. Recently this diagnose has been withdrawn. Fatima is also an expert in many aspects of the Autism Spectrum, especially Autism & Development.